O Dragão Lança Fogo no Gelo

As diferentes possibilidades econômicas e energéticas que o Ártico oferece são atraentes não só para os Estados da região, mas também para grandes potências mundiais, como a Alemanha e a China. Nesse sentido, a China se destaca como um dos atores de maior proeminência na questão ártica, mesmo não estando tão próxima geograficamente da região. Contudo, para entender tal interesse é necessário primeiro entender um pouco sobre a atual ascensão chinesa e suas aspirações globais.

A ascensão chinesa

Atualmente, a China é a segunda maior economia do mundo, e apesar de recentes contratempos, vêm há décadas registrando importantes índices de crescimento em sua economia. Tais índices são ancorados principalmente em investimentos e em exportações, as duas grandes forças motrizes da economia chinesas. Além disso, vale ressaltar que o país conseguiu tais resultados em um curto espaço de tempo, visto que até a década de 1970 o país estava isolado economicamente e possuía um pífio Produto Interno Bruto (PIB), se comparado aos números atuais.

Nesse sentido, visando se consolidar como uma potência econômica, a China busca se fazer presente – através de inúmeros projetos de cooperação em diversas áreas – em grande parte do mundo, sobretudo na África e na América Latina. Aliado a isso, o país também busca se tornar uma potência mundial em outras áreas, desde a questão militar até o esporte, porém com isso visando atingir seus objetivos no que tange a economia. Ademais, é válido citar que o país é altamente dependente de recursos energéticos para se desenvolver, assim como necessita de um fluxo de comércio seguro para tanto, sendo que estes são alguns dos pilares que proporcionam o elevado crescimento da economia chinesa. A partir disso, pesquisadores projetam que com essas movimentações a China deverá ultrapassar os Estados Unidos no posto de maior economia do mundo até 2030.

Pretensões chinesas no Ártico

Os principais pontos de interesse chineses no Ártico são, por suposto, as possibilidades energéticas que a região apresenta e as rotas marítimas comerciais que se consolidam com o degelo do oceano Ártico. Tem-se que as reservas de recursos naturais presentes na região – sobretudo petróleo e gás natural – são insumos chave no processo de desenvolvimento da economia chinesa. Também nesse sentido, a China como sendo uma das maiores nações marítimas do mundo – com cerca de 50% de seu PIB dependente do comércio marítimo e sendo que 90% do comércio mundial é feito por via marítima – vem sendo uma das maiores beneficiadas com as novas rotas que passam pelo região ártica, visto que estas diminuem drasticamente a distância entre os mercados asiáticos e ocidentais e têm impacto direto na economia do país.

A partir disso, e visando se aproveitar das possibilidades econômicas que o Ártico apresenta, a China adota diferentes estratégias para tanto, sendo as principais: a cooperação bilateral e a cooperação multilateral. No que tange as relações bilaterais, o país atualmente possui grandes acordos energéticos com a Rússia especificamente no petróleo russo extraído de regiões árticas. Porém, dois atores chave na cooperação chinesa no Ártico são Dinamarca e Islândia. Com ambos a China possui acordos econômicos, sendo que a Islândia se destaca como fonte de vultuosos investimentos chineses, devido ao fato de o país ser visto pelos chineses como um importante eixo logístico das rotas comerciais árticas.

chineseexpeditionJá no que tange a cooperação multilateral, a China teve ao longo dos anos a pesquisa científica como pilar, tendo criado diversos institutos de pesquisa sobre regiões polares e em 2004, uma base científica localizada no arquipélago de Svalbard. Porém, o principal objetivo chinês quanto a cooperação multilateral no Ártico sempre foi conseguir a participação no Conselho do Ártico, como Membro Observador. Esse processo de admissão, foi resultado de inúmeras tratativas que se relacionam com a cooperação bilateral chinesa no Ártico, como conquistando o apoio de membros permanentes do Conselho, como Dinamarca e Islândia. A admissão da China, foi enfim conseguida em 2013, e apesar do status de observador, esta foi uma grande conquista chinesa, tendo em vista a importância do Conselho do Ártico como fórum intergovernamental.

A China e a Guerra Fria no Ártico

A partir disso, percebe-se o quão importante é a questão ártica para os ímpetos desenvolvimentistas chineses. Sendo assim, além de estreitar suas ligações econômicas bilateral e multilateralmente, a China também vem desenvolvendo suas capacidades de navegação no oceano Ártico assim como suas capacidades militares para a região, visando se tornar um dos países com maior número de navios quebra-gelos propícios para a navegação ártica, mesmo não estando tão próxima da região. Além disso, a China vem se tornando um dos países com maior fluxo marítimo comercial no oceano Ártico.

Por fim, tem-se que os chineses ainda são, talvez, os maiores representantes não-árticos que buscam o poder de votar em questões substanciais no âmbito do Conselho. Tal fator se revela como mais um complicador na tensa relação entre os Estados árticos e aparenta ser mais um tópico importante que entra na delicada questão ártica.

Referências:

SILVA, A. A China também olha para o Ártico. Austral: Revista Brasileira de Estratégia & Relações Internacionais. V. 3, n. 6, Jul-Dez 2014, p. 95-117. Disponível em: <file:///C:/Users/Downloads/49873-220139-1-PB.pdf>. Acesso em: 9 out. 2017.

Obs: Título produzido por um artigo da ECEME, disponível neste link.

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