A Rota do Ártico e a crise dos refugiados

Conhecida como a maior crise humanitária do século XXI, a crise dos refugiados é um assunto importante que vem sendo abordado constantemente no cenário internacional. Apesar de ser um problema em diversos países a maior parte dos refugiados hoje em dia vem da África ou Oriente Médio e  isso se dá devido ao fato de haver muitos conflitos internos nesses lugares que de certa forma forçam a população a buscar, melhorias de vida e segurança em países mais estáveis (MERELES; CARLA, 2017).

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A maioria dos refugiados desejam chegar na Europa através do mar mediterrâneo, a Grécia e a Itália normalmente são a porta de entrada para o continente, os mesmos se arriscam a partir de uma travessia marítima feita por traficantes com embarcações inseguras e precárias e com custo financeiro muito alto. Os países mais procurados pelos refugiados são a Alemanha, Hungria, Turquia (MERELES; CARLA, 2017).

ref 3                                                                      (BBC, 2015)

Apesar da travessia marítima pelo mar mediterrâneo ser a mais usada pelos refugiados, outras formas de passagem para o continente europeu estão sendo descobertas e uma delas é a rota do Ártico. Com temperaturas amenas o Ártico não parece ser uma das melhores opções de travessia, entretanto, uma cidade norueguesa chamada Storkog se tornou uma das etapas do trajeto (WALLACE; ARTHURO, 2015).

Relatos de moradores locais que o movimento imigratório iniciou de forma branda com apenas algumas pessoas, mas o número foi aumentando de forma considerável juntamente com os pedidos de asilo na Noruega. Storkog chama a atenção dos refugiados por ser localizada a apenas 5 km de distância da fronteira russa, de onde muitos refugiados veem. Outro aspecto curioso dessa rota é a maneira que os imigrantes usam para efetuarem  trajeto. Não é permitido andar a pé no lado russo da fronteira com a Noruega, então para não infringir a lei local, os refugiados fazem o trajeto final de bicicleta ( WALLACE; ARTHURO, 2015).

ref 2                                                                (GOOGLE MAPS)

Além de ser um trajeto mais curto que a feita pelo sul europeu, a rota do Ártico é mais barata que a rota marítima, ‘’segundo um professor que deu depoimento para o jornal The Wall Street sobre sua travessia de Beirute no Líbano até Noruega, o mesmo afirma que conseguiu fazer a viagem por R$9,2 mil, valor que se aproxima do montante cobrado pelos traficantes que operam de maneira precária e perigosa’’ (WALLACE; ARTHURO, 2015).

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Devido ao aumento exacerbado de refugiados utilizando a rota do Ártico para terem acesso a Europa, outros países do Ártico, como Finlândia e Dinamarca também tiveram um aumento significativo na demanda por asilo. Desta maneira, em 2016, o governo finlandês juntamente com o governo russo informou ter feito um acordo proibindo o acesso a fronteira norte aos imigrantes, a duração do acordo foi de 6 meses. A crise ainda é um problema grave que afeta não apenas os países em guerra, mas também os países de destino e transição (GAZETA DIGITAL, 2015).

Vários são os lados a serem analisados diante da crise dos refugiados. Há impasses de ambos os lados: em que medida os direitos dos refugiados está sendo assegurado? Em que medida os Estados cooperam para tentar encontrar as melhores opções para resolver essa crise ou em que medida apenas voltam-se para seus interesses internos, deixando de lado questões humanitárias. Diante do medo e da vulnerabilidade dos refugiados, a tendência de buscar rotas mais seguras é cada vez mais latente, como é o caso da segurança oferecida pela rota do Ártico em comparação com a rota do Sul mas nesse sentido, é essencial que haja apoio dos Estados que circundam essa rota para que esses refugiados não estejam mais uma vez ameaçados e vulneráveis diante de uma falta de alteridade dos Estados e da comunidade internacional.

REFERÊNCIAS:

BBC. Os refugiados que entram na Europa pelo Ártico – e de bicicleta. 2015. Disponível em <http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2015/10/151013_refugiado_siria_artico_lgb; Acesso em 02 de out 2017.

  1. A nova rota dos refugiados sírios que entram na Europa de bicicleta. 2015. Disponível em <https://www.dn.pt/mundo/interior/a-nova-rota-dos-refugiados-sirios-que-entram-na-europa-de-bicicleta-4840518.html; Acesso em 02 de out 2017.

O GLOBO.. Rota pelo Círculo Polar Ártico na Rússia atraí cada vez mais refugiados. 2016. Disponível em <https://oglobo.globo.com/mundo/rota-pelo-circulo-polar-artico-na-russia-atrai-cada-vez-mais-refugiados-17365343. Acesso em 02 de out 2017.

POLITIZE. Crise humanitária dos refugiados. 2017. Disponível em <http://www.politize.com.br/crise-dos-refugiados/. Acesso em 02 de out 2017.

GAZETA DIGITAL. Refugiados sírios usam rota pelo Ártico para chegar à Europa. Disponível em <http://www.gazetadigital.com.br/conteudo/show/secao/32/materia/457354/t/refugiados-sirios-usam-rota-pelo-artico-para-chegar-a-europa. Acesso em 02 de out 2017.

 

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