Guerra de Movimento x Guerra de Trincheiras

         Dentre as inúmeras particularidades que valem ser ressaltadas na Grande Guerra, a divisão da Guerra em duas etapas é com certeza muito relevante para as discussões na Conferência de Paz de Paris, levando a um melhor entendimento do conflito como um todo. Tal divisão será explicada de maneira resumida neste post para que os senhores delegados tenham conhecimento das táticas usadas em cada fase, e de como o avanço da Guerra decorreu do uso de tais táticas.

             A Guerra de Movimento é a denominação dada à primeira fase da Grande Guerra, tendo como principal característica os ataques de tropas alemãs sobre os territórios da Bélgica e de Luxemburgo, configurando o domínio da Frente Ocidental (os territórios a oeste do Império Alemão). Os principais alvos a serem inicialmente dominados foram estes dois países, porque a França já havia mobilizado tropas para defender suas fronteiras com o Império Alemão, sendo necessárias outras rotas para adentrar o território francês. Além disso, a França já consolidava o “revanchismo francês” em sucessivas tentativas de retomar as terras de Alsácia e Lorena (KRAUSE, 2017). Após os significativos avanços do Império Alemão, as possibilidades de expansão imediata se tornaram escassas, percebendo-se, inclusive, que a movimentação seria uma medida infinitamente mais perigosa, levando, assim, a estagnação das tropas (DVORSKY, 2014).

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FONTE: ENGLISH ONLINE, 2014.

            Decorrente de tal estagnação, tanto os soldados Aliados quanto da Entente, sob a dificuldade de avanço e conquista territorial, passaram a cavar valas no chão do campo de batalha – as chamadas trincheiras – para que pudessem se proteger, evitando também o combate direto das tropas, que passaram a usar mecanismos de ataque à distância. Dessa forma inaugurou-se a segunda e mais mortífera fase da Guerra, a Guerra de Trincheiras (KRAUSE, 2017).

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FONTE: IMAGO HISTÓRIA, 2016.

            Os primeiros relatos de batalhas que ocorreram fazendo o uso de trincheiras datam do fim de 1914 (KRAUSE, 2017), tendo o famoso episódio da Trégua de Natal de 1914 ocorrido justamente quando os soldados, sujeitos às condições inóspitas da vida nas trincheiras, decidiram declarar uma suspensão momentânea nas batalhas (LAFON, 2015). Nesse sentido, a vida na trincheira era, de fato, severa para os soldados, constantemente submetidos a condições insalubres, que levavam também a proliferação de diversas doenças (DVORSKY, 2014).

            Os rápidos e intensos avanços em diversas áreas do conhecimento humano durante a Guerra, como a metalurgia, química, e a produção de armas de alta precisão, fez com que a nova artilharia usada causasse um número muito maior de mortes de soldados nos campos de batalha do que o esperado. Os avanços de cunho bélico implementaram mecanismos hidráulicos que possibilitavam até mesmo o recarregamento automático das armas após os disparos, matando, assim, mais do que quaisquer outras armas existentes até então. Dada a periculosidade de tais armas ao longo de longas movimentações de tropas, a estratégia do uso de trincheiras acabou por se tornar dominante entre os oficiais de ambos os lados, devido à limitação das formas de ataque a distância quando os soldados estavam dentro das trincheiras. Sendo assim, as trincheiras foram responsáveis por salvar inúmeras vidas ao longo da Grande Guerra (DVORSKY, 2014).

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FONTE: PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL – ARMAS, FATOS E FOTOS, 2010.

            Outra estratégia de Guerra utilizada que não possui uma abordagem tão recorrente no que concerne à Grande Guerra, mas é válido que os senhores delegados conheçam, é a chamada Guerra de Exaustão. Trata-se de uma estratégia que visa exaurir os recursos físicos e até mesmo psicológicos do inimigo através de ataques sucessivos e quase ininterruptos, priorizando sempre o aspecto ofensivo da Guerra. Winston Churchill afirmou em dado momento que a Guerra teria seu fim devido à exaustão de um dos lados combatentes, e não pelas vitórias nos campos de batalha. Dessa forma, a estratégia da Exaustão alcançou a dimensão da Guerra como um todo, e não de batalhas isoladas (DVORSKY, 2014).

            É importante que os senhores conheçam as condições em que os soldados das nações representadas se encontravam nas duas fases do conflito, avaliando, assim, os impactos causados pelas táticas de cada fase em suas próprias delegações. Até outubro, senhores delegados!

REFERÊNCIAS

DVORSKY, George. Trench Warfare in World War I Was a Smarter Strategy Than You Realize. Disponível em: https://io9.gizmodo.com/trench-warfare-in-world-war-i-was-a-smarter-strategy-th-1637657733. Acesso em: 2 de outubro de 2017.

KRAUSE, Jonathan. Western Front. Disponível em: https://encyclopedia.1914-1918-online.net/static/pdf/1914-1918-Online-western_front-2015-11-11.pdf. Acesso em 2 de outubro de 2017.

LAFON, Alexandre. Christmas Truce. Disponível em: https://encyclopedia.1914-1918-online.net/article/christmas_truce. Acesso em 2 de outubro de 2017.

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