Ascensão de movimentos xenófobos dentro da UE e consequências para pessoas negras

A União Europeia é um bloco de integração que possui uma série de dinâmicas próprias e que chama a atenção do mundo quanto a um lugar de oportunidades. Esse fato é destacado por europeus como sendo um fator de perda de identidade uma vez estrangeiros são atraídos para o continente e o “desconfiguram”, além de retirarem a oportunidade de pessoas europeias em relação a empregos, por exemplo. Esse comportamento é caracterizado como xenofobia e é crescente na contemporaneidade europeia. Contudo, esse olhar preconceituoso é ainda agravado pela origem e cor da pele desse estrangeiro.

“Em quase todos os países da União Europeia as estatísticas mostram que as pessoas de origem africana têm sistematicamente níveis mais altos de desemprego por causa da discriminação racial. Na Finlândia há três vezes mais desemprego entre as pessoas de origem africana (41,2%) do que a média nacional (8.7%). Na Lituânia, uma sondagem revela que uma em cinco pessoas não quer trabalhar com uma pessoa negra. Na Suécia, uma em quatro pessoas negras licenciadas estão em empregos de baixa qualificação. Na Holanda é relatado que estudantes de origem africana, apesar de resultados altos num teste nacional, foram subavaliados pelos professores. […]Baseado em informação de 20 países, entre eles Portugal, vinda de pesquisas, estudos de caso, políticas públicas e cobrindo o período de Março de 2014 a Março de 2015, o relatório mostra que os negros que vivem na Europa são alvo de discriminação em várias áreas da sua vida: educação, emprego, justiça, sistema policial, saúde… ” (Público, 2016)

Esses dados foram apresentados em 2016 pela European Network Against Racism (ENAR), uma rede pan-europeia de advocacia pela igualdade racial sendo um dos primeiros estudos a respeito da Afrofobia na Europa. Tais informações denunciam de forma técnica como o europeu enxerga o negro, especialmente os estrangeiros negros. Além disso, colabora ainda mais para a reflexão de um teste feito por Tom Stafford, Profesor de Psicología y Ciencia Cognitiva, na Universidad de Sheffield em 2017 que analisa o que os europeus brancos associam a negros. Constata-se na pesquisa que os europeus são mais lentos a associar negros com palavras positivas como “agradável” e “bom” e mais rápidas a palavras como “mau” e “maligno”. Vale ressaltar ainda que o país que mais chamou atenção na pesquisa foi Portugal, devido a suas políticas públicas “tímidas” em relação a questão racial e seus poucos dados a respeito de diversidade étnica no país. O ENAR recomendou ao Estado “a criação de mecanismos que criem um standard de recolha de dados sobre minorias étnicas e raciais de modo a produzir material comparável.” Tal recomendação também foi dada pela ONU em 2012.

Essa visão de inferioridade, presente em ambos os estudos, está relacionada, ao passado europeu, que há algumas décadas, ainda utilizava de zoológicos humanos, por exemplo, para, dentre outros fatores, legitimar as colonizações da época, as quais eram, em sua maioria, países africanos.

A ascensão da xenofobia no bloco europeu, portanto, maximiza o racismo para com pessoas negras e, embora sejam reconhecidos alguns avanços, há ainda muito a se fazer para reverter esse cenário que é presente não só na Europa como em diversos outros países do globo.

 

Atenciosamente,

Luísa Gois

Voluntária da WCAR – 2017.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Afrofobia está espalhada na Europa e em Portugal. Público, 05 maio 2016. Disponível em: https://www.publico.pt/2016/05/05/sociedade/noticia/afrofobia-esta-espalhada-na-europa-e-em-portugal-1730868 Acesso em: 23 set. 2017

A xenofobia cresce na Europa. Carta Capital, 21 dez. 2014. Disponível em: https://www.cartacapital.com.br/revista/831/a-xenofobia-em-fermento-4240.html Acesso em: 23 set. 2017

ONU traça retrato de discriminação e “racismo subtil” em Portugal. Público, 26 nov. 2012. Disponível em: https://www.publico.pt/2012/09/26/sociedade/noticia/onu-traca-retrato-de-discriminacao-e-racismo-subtil-em-portugal-1564647 Acesso em: 23 set. 2017

O que europeus brancos associam a negros? Carta Capital, 08 maio 2017. Disponível em: http://politike.cartacapital.com.br/o-que-europeus-brancos-associam-a-negros/ Acesso em: 23 set. 2017

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