Indústria Militar na atualidade [Parte II de III]

O fim da ordem dos pactos militares, que caracterizou o período da Guerra Fria, deu origem a um ambiente internacional complexo. Esse ambiente foi marcado por uma mudança constante diante o surgimento de novos agentes internacionais, o que implicou em grandes alterações no conceito de segurança e na natureza das ameaças.

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Atos terroristas de grandes proporções são elementos marcantes na ordem mundial pós-Guerra Fria. As motivações por trás dos ataques remetem a exclusão de seus países de origem da prosperidade dos Estados desenvolvidos e exploração de riquezas pelos países do Norte Global; a instabilidade política e a privação econômica e social originada disso; e também, a resistência a integrar-se à globalização, dado o choque “civilizacional”, visto que as bases da ideologia de muitos grupos terroristas rejeitam diversos aspectos da globalização que parte do Ocidente, pois corromperia o modo de vida original de sua cultura e crenças. (CERNY, 2005).

Dessa forma, os Estados dão continuidade às estratégias de combate a grupos radicais. O Estado [1] possui o monopólio do uso da força e acesso à tecnologia que não é disponível para civis, este tem maior facilidade em se aprimorar em suas técnicas de contraterrorismo, enquanto os grupos que questionam os Estados possuem capacidade mais limitada, então, buscam outras formas para causar dano, como uso de automóveis, armas de fogo e até mesmo armas brancas. O terrorismo se torna uma guerra assimétrica, de grandes proporções. (ABRAHAMS, 2006).

A maior parte das atividades perpetradas por grupos, dentro de um senso comum, intitulados como terroristas, são consideradas criminosas. As legislações nacionais e internacionais condenam as ações violentas desses grupos terroristas e as combatem usando também a violência. Entretanto, também existe uma construção de uma narrativa política que legitimam essas ações tanto dos governos quanto dos grupos terroristas, ganhando apoio para determinado grupo de pessoas, tornando-os por diversas vezes aceitos. Dessa forma sabe-se que há uma conexão entre de crime e política, sendo a política motivo para a ação e, essa ação em si, um crime. (SCHMID, 2004)

Dessa forma, o terrorismo transnacional é um reflexo das mudanças estruturais que se concretizaram com o fim da Guerra Fria, mas especialmente destacadas após os atentados do 11 de setembro, que evidenciaram a imprevisibilidade e o caráter globalizado do novo tipo de ameaça que vinha se formando.

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Os atentados serviram como justificativa politica para uma série de gastos militares que impulsionaram o complexo industrial-militar de vários países, assim como as indústrias e serviços de segurança, informação, monitoramento eletrônico e até mesmo novas formas de tortura. Na politica externa, os EUA passaram a exercer maior pressão sobre os demais países em relação ao controle de armas de destruição em massa, servindo como justificativa para ameaças e para a intervenção no Iraque. (CERNY, 2005).

A proliferação da tecnologia e seu preço sendo sucessivamente reduzido, tem aumentado de forma exponencial a possibilidade das organizações terroristas de possuir capacidade tecnológica para causar mais danos, tornando-as significativamente mais difíceis de serem combatidas. Assim, os Estados passam a necessitar ainda mais de dominar essas tecnologias para trabalharem suas respostas a esses ataques. Nos conflitos modernos a superioridade de informações representa uma vantagem no campo de batalha. As ações contra-terroristas se desenvolvem tanto ao nível de reação imediata, quanto no nível de pesquisa e desenvolvimento em longo prazo (HERMAN, 2003).

Um dos recursos da luta contra não somente ações terroristas, mas também de modo geral, é a tecnologia que permite obter uma grande quantidade de dados de diferentes fontes, e sistemas capazes de operar a longas distâncias e em tempo real:

  • Sensores de radar que captam imagens visíveis ou invisíveis [2], que ajudam a detectar e reconhecer alvos; interceptores de comunicação são capazes de identificar e obter informações acerca de planos e membros de determinados grupos;
  • Interceptores eletromagnéticos possibilitam detectar a presença de materiais, equipamentos e armamentos sem que seja necessário adentrar o local que está sendo estudado;
  • Satélites ou veículos aéreos não tripulados [3] permitem executar missões de observação ou ataque de alvos a partir de qualquer ponto do globo, sendo uma das maiores inovações, sendo utilizados cada vez mais no combate ao terrorismo (RICHELSON, 2009).

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    Veículo aéreo não tripulado americano MQ-1C Grey Eagle
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HEL MD – Arma de alta energia americana, equipada com feixes de laser e foi desenvolvida para abater drones.

Outro grande desenvolvimento tecnológico abrange as tecnologias de “ação-reação”, ou seja, o objetivo desse sistema em questão é identificar e interromper uma ação já em progresso, como, por exemplo, armas de energia dirigida e baterias antimísseis.

Tais sistemas chamam a atenção pelo seu potencial em nível de detecção e eliminação de ameaças de misseis de curto alcance, misseis antitanque, drones, ou até mesmo, veículos terrestres.

CE3EB8F5-3F7A-43ED-8132-A37956BA1645_w1023_r1_sEsquema explicativo do Iron Dome

O Iron Dome é um sistema de defesa aérea israelense para reconhecer e abater misseis de curto alcance e morteiros. Esse processo ocorre a partir de um sistema de radar que calcula o local de aterragem do míssil e o destrói antes que tal área seja atingida (BERMAN, 2012). Sistemas antiaéreos, como o mencionado acima, podem ser terrestres ou marítimos; e também na forma de caças e jatos militares.

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Sistema de defesa antiaéreo marítimo – Phalanx CIWS

 

Deve ser observado que vários outros países possuem sistemas de defesa antiaérea e, além disso, procuram adquirir e desenvolver as tecnologias que compõem esses sistemas. É fundamental a pesquisa sobre a situação bélica e militar de sua representação.

Para conferir mais informações, acesse: defesa antiaérea.

[1] se refere a qualquer país soberano, com estrutura própria e politicamente organizado, bem como designa o conjunto das instituições que controlam e administram uma nação.

[2] A partir de zonas de espectro eletromagnéticas, como o infravermelho.

[3] Os chamados “drones”.

[4] Tais armas utilizam feixes (de som, de alta temperatura, radiação, etc) para destruir ou causar danos a um sistema de armas

Escrito pela diretora assistente Letícia Laborê

REFERENCIAS

ABRAHMS, Max. Why Terrorism Does Not Work. International Security, Cambridge, v. 31, p.42-78, out. 2006

BERMAN, Lazar. Capturing Contemporary Innovation: Studying IDF Innovation against Hamas and Hizballah, Journal of Strategic Studies, Volume 35 Nr.1, February 2012.

CERNY, Philip G. Terrorism and the New Security Dilemma. Naval War College Review, Winter, 2005.

GADDIS, John Lewis. We Now Know. Rethinking Cold War History. Oxford, Oxford UP, 1997

HARDT, Michael. NEGRI, Antonio. Império. Record, Rio de Janeiro. 2011.

HERMAN, Michael. Counter-Terrorism, Information Technology and Intelligence Change. Intelligence and National Security, Volume 18, No. 4, Winter 2003.

RICHELSON, Jeffrey T. Technical Collection of Intelligence. Loch K. Johnson (ed.), Handbook Of Intelligence Studies, New York, Routledge, 2009.

POST, Jerrold M. REICH, Walter. Origins of terrorism: Psychologies, ideologies, theologies, states of mind. New York, NY, US: Cambridge University Press; Washington, DC, US: Woodrow Wilson. International Center for Scholars, xi, 289 pp. Ed. 1990

SCHMID, Alex. FRAMEWORKS FOR CONCEPTUALISING TERRORISM, Terrorism and Political Violence, 16:2, 197-221, 2004.

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