TOP SECRET: Tipos de códigos e decodificação

Por Pedro Dias

Os códigos são um conjunto de símbolos, signos, elementos ou sinais utilizados para transmitir e receber mensagens entre seus entendedores. Eles podem ser de três tipos: oral, escrito ou verbal.

A linguagem é um ótimo exemplo de código, pois apresenta toda a estrutura necessária para se caracterizar como tal. Os idiomas podem ser considerados códigos de linguagem, uma vez que são usados por indivíduos de cada sociedade.

Em guerras e conflitos, o uso de códigos se torna essencial, visto que seus entendedores podem se comunicar entre si sem que sejam compreendidos por outros. Assim as táticas e estratégias de batalha não são descobertas com antecedência, o que causa uma grande vantagem para quem as utiliza.   

Podemos citar uma diversidade de códigos existentes e também códigos que deixaram apenas a curiosidade de não serem interpretados. Como é o caso das anotações de Ricky McCormick, que foi assassinado e deixou duas notas escritas à mão em seus bolsos, até hoje o FBI não conseguiu decifrá-las. Temos também a linguagem desconhecida do Peru, encontrada em uma carta datada de aproximadamente 400 anos, as cifras da Biblioteca Inglesa ou ainda, o que para alguns parece simples, mas pra alguns cientistas e pesquisadores é algo muito mais complexo, seria a forma única de irmãos gêmeos se comunicarem e se entenderem, sejam eles fraternos ou idênticos.

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Método de decodificação feito pela Maquina Enigma

A Segunda Guerra Mundial foi caracterizada pela proliferação de alta tecnologia como os codificadores “Enigma”, “Purple” e muitos outros. Essas máquinas eram utilizadas para criptografar, fazendo uso de mecanismos de geração de palavras equivalentes as quais inicialmente não faziam nenhum sentido, mas que posteriormente poderiam ser lidas pela chave de criptografia.

Isso era bom para mensagens de texto, mas quando chegava à emissão de ordens verbais no campo de batalha a nível de unidades menores, a situação mudou. Equipes japonesas treinavam operadores bilíngues, a maioria deles educados nos Estados Unidos, que interpretavam as mensagens e respostas e muitas vezes emitiam ordens diretas, que as forças americanas acreditaram serem verdadeiras, agindo muitas vezes contra elas próprias.

Entre os códigos utilizados durante a Segunda Guerra Mundial, podemos citar os Códigos Navajos, que foram utilizados como sistema de criptografia da Marinha Americana. O código Navajo foi um dos segredos mais bem guardados da Segunda Guerra Mundial e alguma informação mais concreta sobre ele só veio a público no fim da década de 1960. “Code Talkers” foi um termo usado para descrever pessoas que falam com uma linguagem codificada.

O termo é freqüentemente usado para descrever os nativos americanos que serviram no Corpo de Fuzileiros Navais da Marinha, cujo principal trabalho foi a transmissão/decodificação de mensagens táticas durante a Guerra do Pacífico. Tais mensagens eram transmitidas por telefone ou rádios de comunicação e, portanto, muito suscetível de serem interceptadas pelos japoneses.

A ideia surgiu um pouco depois do ataque japonês a Pearl Harbor em 1941, por sugestão de Philip Johnston, um veterano da Primeira Guerra Mundial, filho de um missionário que havia trabalhado por longo tempo com o povo Navajo no sudoeste americano. Tendo crescido em uma reserva, Johnston era um dos poucos não-Navajo que falava a língua fluentemente. Ele preparou uma série de demonstrações para o comando dos Fuzileiros no Pacífico, provando que enquanto um operador levava meia hora para escrever três linhas de código com uma máquina de encriptação, um operador Navajo completava a mesma tarefa em menos de 30 segundos. A linguagem Navajo era considerada extremamente complexa, pois, não possuía escrita, com centenas de palavras e símbolos, somados a uma gramática e pronúncia complicada.

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Os analistas observaram a apresentação e constatam que a tonalidade das palavras praticamente se tornavam ininteligíveis para aqueles que não estivessem familiarizados com a mesma. O comando naval ordenou o recrutamento de 200 índios que seriam incorporados ao corpo de fuzileiros.

Em maio de 1942 o primeiro grupo foi mandado para Camp Elliot (hoje Marine Air Corps Station Miramar), em San Diego, para desenvolver o código e criar um dicionário com equivalentes aos termos militares. O dicionário continha cerca de 450 termos frequentemente utilizados pelos militares, sempre fazendo associações com o dialeto Navajo.

Exemplos:

besh-lo (“peixe de ferro” = submarino)

dah-he-tih-hi (“beija-flor” = avião de caça)

tacheene (“terra vermelha” = batalhão)

nakia (“mexicano” = companhia)

lo-tso-yazzie (“pequena baleia” = cruzador)

e ca-lo (“tubarão” = destroyer).

Durante o treinamento militar básico, onde tiveram a formação militar de combate, aprenderam também a codificar e descodificar as principais palavras técnicas e táticas que seriam utilizadas nas transmissões. Os japoneses eram especialistas em decifrar códigos que eram fluentes em inglês e em muitas línguas europeias, mas quando buscavam por semelhanças linguísticas do dialeto Navajo, não encontravam nenhuma, pois ele não tinha nada em comum com qualquer língua do mundo, uma vez que também não possuía escrita formal.

Outra importante ferramenta de códigos da Segunda Guerra Mundial foi a máquina eletromecânica de criptografia com rotores Enigma. Utilizada tanto para criptografar como para decodificar códigos de guerra, foi usada de várias formas na Europa a partir dos anos 1920. A sua fama vem de ter sido adaptada pela maior parte das forças militares alemãs a partir de cerca de 1930. A facilidade de uso e a suposta indecifrabilidade do código foram as principais razões para a sua popularidade. O código foi, no entanto, decifrado, e a informação contida nas mensagens que ela não protegeu – frustrando a segunda tentativa dos alemães de obterem dominação em âmbito mundial – é geralmente tida como responsável pelo fim da Segunda Guerra Mundial, a qual poderia durar mais de dois anos.

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Bomba eletromecânica ”bombe” que auxiliava na decodificação das mensagens secretas alemãs criptografadas pela máquina “Enigma

Durante a Guerra, a Enigma foi usada por praticamente todas as comunicações de rádio alemãs (e também as de outras potências do Eixo), tal como para as comunicações telegráficas. Mesmo os boletins meteorológicos são codificados com a Enigma. Os espanhóis (durante a guerra civil) e os italianos (durante a Segunda Guerra Mundial) utilizam uma das versões comerciais da máquina, inalterada, para as suas comunicações militares. Esta imprudência beneficiaria os britânicos que realizaram a criptoanálise do código mais rapidamente.

Não bastava, no entanto, decifrar todas as comunicações secretas do inimigo: era necessário fazê-lo de forma a que ele o ignorasse. A destruição de cada navio alemão do qual a posição fosse conhecida era precedida do envio de um avião de reconhecimento que sobrevoava o local de forma que parecesse acidental. Este fazia-se ver com nitidez, e o ataque podia então ser feito sem alertar o estado-maior inimigo.

Tal como outras máquinas com rotores, a Máquina Enigma é uma combinação de sistemas mecânicos e elétricos. O mecanismo consiste num teclado, num conjunto de discos rotativos chamados rotores, dispostos em fila; e de um mecanismo de avanço que faz andar alguns rotores uma posição quando uma tecla é pressionada. O mecanismo varia entre diversas versões da máquina, mas o mais comum é o rotor colocado à direita avançar uma posição com cada tecla pressionada, e ocasionalmente despoletar o movimento rotativo dos restantes rotores, à sua esquerda, à semelhança do mecanismo que conta a quilometragem percorrida por um automóvel. O movimento contínuo dos rotores provoca diferentes combinações na criptografia.

A parte mecânica funciona de modo a variar um circuito elétrico que efetua a cifra de cada letra premida no teclado. Ao premir uma tecla, o circuito completa-se: a corrente elétrica flui pelos diversos componentes (pela ordem teclado, conexões para câmbio de codificação, rotores, rotor-espelho, rotores pela ordem inversa e placa de luzes). A luz que no fim do processo se acende codifica a letra premida no teclado. Por exemplo, ao codificar a mensagem RET., o operador primeiro tecla em R, acende-se uma luz por exemplo, T – que será a primeira letra da cifra resultante. O operador prossegue teclando E, acende-se outra luz, e assim sucessivamente.

Outras máquinas com sistema funcional parecido com a Enigma são a Purple (japonesa), a Typex (britânica), a SIGABA e a M-134-C (americanas).

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