A ascensão chinesa e a ordem mundial

Os EUA assim como outros países do Ocidente através do capitalismo privado e da democracia liberal foram aptos a alcançar novos níveis de desenvolvimento econômico, portando existe um pensamento de que os demais países decidiram aderir o capitalismo privado como modelo de crescimento econômico, e a democracia liberal persistiria em promover prioridades aos direitos políticos em relação aos direitos econômicos. Porém, para aqueles que encontram-se no mercado emergente, é puramente uma ilusão. (MOYO, 2013)

O sistema vigente na China se fundamenta de uma forma divergente ao se comparar com os demais países ocidentais, no lugar de capitalismo privado, eles possuem o capitalismo de estado, ao invés de democracia liberal eles têm um sistema que não privilegia a democracia, mas sim os direitos econômicos em relação aos direitos políticos. Tal sistema vem ganhado força entre as pessoas nos mercados emergentes, pois eles concordam que esse sistema é aquele que garante e compromete progressos mais rápidos e melhores nos padrões de vida em um menor período de tempo. (MOYO, 2013)

A China comparada com os demais países dos BRICS é conceituada como o país com maior capacidade de se projetar mundialmente, visto que suas exportações intensificaram mais do que o restante dos membros do bloco. Se a China preservar sua dinâmica taxa de crescimento, ela poderá atribuir uma posição de poder à frente dos demais e ultrapassar os EUA a partir de 2040, transformando-se na primeira economia mundial (BAUMANN, 2010).

A China foi apta a produzir um crescimento econômico recorde e tirar grande parte da população da pobreza, 300 milhões de pessoas, mas não é apenas no setor econômico que a China recebe destaque, mas também no padrão de vida, visto que no ano de 1970 apenas 28% da população chinesa tinha acesso ao ensino médio, já em 2012, cerca de 82% da população possui tal acesso. O país ainda foi capaz de melhorar consideravelmente a desigualdade de rendimentos sem nenhuma alteração na estrutura política rendimentos. (MOYO, 2013)

A China é apontada como potência do futuro, visto que sua capacidade econômica e demográfica é capaz de influenciar a futura ordem mundial. Contudo, o país apresenta altas taxas de analfabetismo, infraestrutura precária e população em condição miserável (BAUMANN, 2010). Desta maneira, se torna de extrema relevância para o país discutir os moldes em que a cooperação para o desenvolvimento deve decorrer para que esses problemas sejam reparados e para que assim o país seja apto se desenvolver cada vez mais. (ABDENUR; FOLLY, 2015).

Atualmente, EUA e China são as duas economias líderes no mundo com sistemas políticos e econômicos bastantes divergentes, mas apresentam um Coeficiente GINI idêntico (medida de igualdade de rendimentos), a igualdade de rendimentos da China continua a crescer, porém a igualdades dos EUA tem diminuído. (MOYO, 2013)

A China ainda busca soluções inovadoras para os problemas sociais que não apenas o país, mas como o mundo enfrenta, como a falta de infraestrutura e logística na área rural são obstáculos a fim de desenvolver e viabilizar o sistema de saúde. Logo, através de redes de empresas estatais os chineses conseguiram chegar em tais áreas levando soluções para o atendimentos médico. (MOYO, 2013)

Com o destaque da China, a democracia já não é mais vista como um pré-requisito para o crescimento econômico, outros países como Chile, Singapura e Taiwan mostraram de fato, que o crescimento econômico é que se constitui um pré-requisito para a democracia. (MOYO, 2013)

Com tal diferença de sistemas e ideologias, o Ocidente pode mostrar uma postura de competição ou de cooperação, se o Ocidente dar continuidade a imposição de uma agenda baseada no capitalismo privado e na democracia liberal seria uma posição natural do Ocidente, mas seria como remar contra a correnteza e irá criar um distanciamento ainda maior, se o Ocidente cooperar, ou seja, dar aos países do mercado emergente a flexibilidade de analisar com tempo satisfatório quais são os sistemas políticos e econômicos mais oportuno. (MOYO, 2013)

Em vez de ficar censurando os países por apoiar e seguir a China, o Ocidente deveria impulsionar seus próprios negócios para comercializar e investir naquelas regiões e mostrar como seu sistema de política e de economia é superior aos demais, e ao invés de forçar a democracia pelo mundo e ter consciência de que um sistema política ou econômico leva tempo até ser consistente. (MOYO, 2013)

Bibliografia

ABDENUR, Adriana Erthal; FOLLY, Maiara. O Novo Banco de Desenvolvimento e a institucionalização dos BRICS. In: BAUMANN, Renato et al. BRICS: estudos e documentos. Brasília: Fundação Alexandre Gusmão, 2015.

BAUMANN, Renato. O Brasil e os demais BRICs: comércio e política. Brasília: CEPAL/IPEA, 2010.

TED. Dambisa Moyo: Será a China o novo ídolo das economias emergentes?Disponível em: < https://www.youtube.com/watch?v=4Q2aznfmcYU&gt;

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