O Notório Diplomata

Otto Von Bismarck foi um importante líder do século XIX que acumulou, durante sua vida, uma série de feitos com extremo impacto no cenário internacional, tais como a forte atuação na unificação da Alemanha, a precipitação do Despacho de Ems[1] e também lhe é creditado o papel de principal responsável pela articulação no diálogo entre as potências europeias visando confluir tais relações para Conferência de Berlim (1884-1885).

 

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Fonte: BUNDESARCHIV, Bild. 1881.

 

Atuou por certo tempo como advogado em Aachen e Potsdam e também serviu no exército até que a morte de sua mãe em 1836 lhe fez voltar a Schönhausen para administrar as propriedades da família. Em 1847 conseguiu uma vaga na assembleia representativa (Landtag) onde galgou posições cada vez mais relevantes em virtude do destaque de suas ideias conservadoras. Foi embaixador em São Petersburgo e Paris até que em 1862 foi nomeado I Primeiro-Ministro da Prússia. (HEADLAM, 2004)

Como Primeiro-Ministro, sua política se pautou no nacionalismo visando cooptar o povo germânico a aderir a suas ideias de unificação da nação alemã além de ser Bismarck, o mais famoso adepto alemão da Realpolitik[2].

Após a longa campanha de unificação da Alemanha, Bismarck não tinha intenções hegemônicas, mas sim almejava a consolidação do estado alemão através da manutenção da coesão nacional, da supressão das resistências e da fomentação do desenvolvimento econômico. Dentro disso, ele começa a elaborar uma série de sistemas para fazer do Império Alemão um centro o qual as outras potências europeias possam girar em torno. (OLIVEIRA, 2009)

Com o desenvolver da busca por estabilização, em 1873, buscando atrair os possíveis aliados franceses para o seu lado, Bismarck arquiteta uma aliança entre Rússia, Alemanha e Áustria-Hungria (Os Três Imperadores) visando se precaver contra a ameaça que a França representava na época. No entanto, a situação das alianças da Alemanha se complicou quando, em 1877, o Império Otomano sofreu revoltas na Sérvia-Montenegro e Bulgária, onde tanto Áustria-Hungria quanto Rússia tinham interesses. O Império Russo declara guerra ao Império Otomano com o discurso de defesa dos estados eslavos, porém com o interesse em garantir maior controle na região. (VISENTINI, 2009)

Em 1878 é elaborado o Tratado de San Stefano no qual assume a Rússia como posição vitoriosa e tenta criar a Grande Bulgária, porém a Áustria-Hungria opõe-se com veemência ante a essa proposta. A Alemanha então assume o papel de mediador do conflito, com clara inclinação mais favoravelmente ao Império Austro-Húngaro do que ao Russo em virtude da posição de Bismarck. Apesar dos esforços diplomáticos resultarem em um acordo, o fim do sistema dos três imperadores é inevitável já que dois de seus três integrantes haviam se afastado de relações amigáveis um para com o outro. (VISENTINI, 2009)

A notória atuação de Bismarck já lhe rendera o titulo de perfeito diplomata, pois além da vital mediação e da elevação da importância da Alemanha no cenário internacional, o Chanceler conseguiu, em 1881, um acordo com o Império Russo, o qual prometia neutralidade diante de uma guerra franco-alemã e em 1882 firmou uma aliança com Áustria-Hungria e Itália. (VISENTINI, 2009)

Tamanho prestigio levou, em 1884, representantes de 13 países da Europa, dos Estados Unidos da América e do Império Otomano deslocar-se a Berlim sob o convite de Otto von Bismarck para tratar de questões referentes ao continente africano, possibilitando a criação da Conferência de Berlim.

 

[1] Segundo o Prof. Dr. Guilherme Ribeiro, o Despacho de Ems é um documento histórico que relata a conversa entre o Rei da Prússia Guilherme I e o Embaixador da França na cidade de Bad Ems. Tal documento foi encurtado por Otto Von Bismarck ao ponto de que os franceses tomaram como uma afronta o conteúdo do telegrama e declararam guerra a Prússia, iniciando a Guerra Franco-Prussiana. A intenção de Bismarck era justamente a declaração de guerra para que fosse possível fomentar ainda mais a unificação alemã.

[2] Segundo o Prof. Dr. Nythamar de Oliveira, a Realpolitik é a política a qual as relações de poder tendem a ganhar um papel mais relevante que a fundamentação moral.

 

REFERÊNCIAS:

HEADLAM, James Wycliffe. Bismarck and the Foundation of the German Empire. Boston, Massachusetts. 2004. Disponível em: <https://archive.org/details/bismarckandfoun06headgoog&gt; Acesso em: 15 de Junho de 2017.

OLIVEIRA, Nythamar. Ética Geral. 2009.  Disponível em: <http://www.geocities.ws/nythamar/etica.html > Acesso em: 15 de Junho de 2017.

RIBEIRO, Guilherme. LUTA PELA AUTONOMIA E PELO TERRITÓRIO: Geografia e os estados alemão e francês na virada do século XIX ao século XX. Mercator-Revista de Geografia da UFC, v. 8, n. 15, 2009. Disponível em: <http://www.redalyc.org/html/2736/273620616003/&gt; Acesso em: 28 de Agosto de 2017.

STEINBERG, Jonathan. Bismarck: A Life. Oxford: Oxford University Press. 2011.  Disponível em: <http://history-books.weebly.com/uploads/6/9/9/0/6990231/bismarck_-_a_life_-_jonathan_steinberg.pdf&gt; Acesso em: 15 de Junho de 2017.

VISENTINI, Paulo Gilberto Fagundes. A Diplomacia Bismarckiana (1871-1890). 2009.  Disponível em: < https://guilhermetissot.wordpress.com/2009/10/03/a-diplomacia-bismarckiana-1871-1890/&gt; Acesso em: 29 de Agosto de 2017.

 

 

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