Ataque Doolittle: O coração do sol nascente é desafiado

Por Larissa Valadares

O Ataque japonês à base americana Pearl Harbor em 7 de dezembro de 1941 abalou a confiança americana, desencadeando a necessidade para um contra ataque, o qual começou a ser formulado meros dias após o ocorrido a partir de ordens do presidente americano Franklin D. Roosevelt. O planejamento da retaliação ficou por conta do Tenente-Coronel James Doolittle, de forma que o ataque ficou conhecido como o Ataque Doolittle e foi realizado em 18 de abril de 1942.

O ataque tinha como objetivo aumentar a moral e esperança dos americanos, bem como destruir a ideia de invencibilidade japonesa ao atacar alvos em Tóquio e suas proximidades. Dessa forma foi planejado um bombardeio a bases militares e fábricas de armamentos nos arredores da capital, de forma a abalar as estruturas japonesas. O primeiro entrave enfrentado por Doolittle foi encontrar uma maneira de realizar a missão eficientemente, visto que a maioria dos aviões bombardeiros capazes de realizar o ataque não possuíam capacidade combustível suficiente para chegar ao japão e retornar.

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Sendo assim, o plano formulado a partir de uma ideia arriscada, lançar aviões bombardeiros a partir do deque de um porta aviões localizado no Oceano Pacífico, algo que nunca havia sido tentado antes. Dessa forma, o bombardeiro médio bimotor B-25 Mitchell foi escolhido para o ataque uma vez que foi comprovada a sua aptitude a decolar do porta aviões USS Hornet. Iniciou-se então um treinamento com pilotos voluntários, os quais ainda não tinham conhecimento sobre o alvo ou objetivo da missão que realizariam, eles sabiam apenas que seria uma ação perigosa. Para que o ataque fosse possível os bombardeiros B-25 Mitchell foram adaptados, despidos de todo o peso desnecessário, o que diminuiu suas defesas, bem como tiveram mais um tanque de combustível adicionado para garantir a realização da missão, bem como permitir um pouso seguro em bases militares da China, aliada americana. Dessa forma, os pilotos voluntários utilizaram os bombardeiros modificados em seus treinamentos, onde testaram decolagem a partir do deque de porta aviões, bem como vôo noturno e vôo e bombardeamentos em baixas altitudes.

No dia 1 de abril de 1942, dezesseis aeronaves B-25 modificadas, bem como a tripulação para todas elas foram carregadas no porta aviões USS Hornet, com os bombardeiros sendo colocados no deque do navio já na ordem de lançamento. O USS Hornet zarpou da Base Naval Alameda, na Califórnia, e foi de encontro com o USS Enterprise, localizado a norte do Havaí, o qual serviria como proteção ao USS Hornet em caso de um ataque japonês. Dessa forma, ambos os porta aviões, juntamente a uma frota de 14 unidades navais seguiram em direção ao Japão.

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Aeronaves B-25 decolando do deque do Porta-aviões USS Hornet

No dia 18 de abril, a frota foi avistada por um barco de patrulha japonês quando ainda estava a cerca de 1200 km da costa japonesa, 300km mais distantes do que seu objetivo. Após destruírem a embarcação inimiga, Doolittle decide realizar a missão imediatamente, visto que havia a possibilidade do barco de patrulha ter conseguido enviar uma mensagem de alerta para uma base militar. Essa decisão significaria que as aeronaves bombardeiras possivelmente ficariam sem combustível antes de conseguir chegar às bases na China, onde pousariam, de forma que a tripulação dos B-25 teria que saltar, ocasionando a destruição das aeronaves. E assim foi feito, Doolittle sendo o piloto mais experiente foi o primeiro a decolar, sendo seguido pelas outras 15 aeronaves, todas realizando a decolagem com sucesso e seguindo em direção aos seus alvos em Tóquio, Kobe, Yokohama, Osaka e Nagoya, onde os atingiram com sucesso e sem muita resistência japonesa.

Após o ataque, 15 das aeronaves seguiram em direção à China, contudo foram incapazes de pousar devido às más condições do tempo e a falta de combustível, o que forçou as tripulações a saltarem, sendo socorridos em terra pelos chineses, que ajudaram os americanos a chegar nas bases militares chinesas. A boa vontade da população chinesa causou uma retaliação militar do Japão, que atacou vilas e massacrou milhares de pessoas na China para impedir que elas pudessem ser usadas como auxílio em outros ataques destinados à ilha. A última aeronave escolheu seguir em direção da União Soviética, onde conseguiu pousar, contudo devido ao acordo de não agressão entre o país e o Japão a sua tripulação foi detida pelos militares soviéticos a fim de manter a relação neutra com o Japão.

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Aeronave de James Doolittle na China após o ataque

O Ataque Doolittle atingiu fábricas, bases militares, destruiu um porta aviões que ainda estava em construção, além de atingir alguns pontos civis como um hospital, escolas e casas. Apesar disso, não foi registrado um número expressivo de mortes e as perdas materiais foram consideradas irrisórias, mas ainda sim o ataque atingiu o seu objetivo e foi considerado um sucesso, visto que as suas maiores consequências foram em relação à moral, tanto americana quanto japonesa. A notícia do ataque bem sucedido ao Japão serviu para levantar o estado de espírito americano e acabou com a ideia de invencibilidade japonesa, uma vez que provou que a ilha podia ser atacada por ar e que os militares não possuíam formas eficazes de defesa. Esse ataque foi considerado decisivo na vitória dos aliados na guerra do pacífico, pois abalou a confiança japonesa e consolidou a decisão do Almirante Isokuro Yamamoto de conquistar o Atol de Midway a fim de impedir que ataques como o Ataque Doolittle ocorressem novamente.

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Os sobrevivente do Assalto Doolitle

Curiosidades

  • Medalhas japonesas oferecidas a militares americanos antes da guerra foram presas a algumas bombas utilizadas no ataque a fim de “retorna-las para casa”
  • James Doolittle, ao cair na China, achava que o ataque tinha sido um fracasso visto que as aeronaves haviam sido destruídas. Ao retornar para os Estados Unidos ele foi convidado à Casa Branca, onde foi surpreendido com uma medalha de honra e um aumento de ranking militar pelos serviços prestados e o sucesso da missão
  • Para garantir a proteção da frota envolvida no ataque o Presidente Roosevelt, ao falar sobre a missão, disse que as aeronaves foram lançadas de uma localização fictícia chamada “Shangri-lá”. Anos mais tarde um porta aviões americano foi nomeado assim, em homenagem ao Ataque Doolittle

 

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