Branqueamento da população argentina

‘’É comum pensar, erroneamente, que na Argentina não existem negros e descendentes de escravos. A população afrodescendente é vítima de um processo de ocultamento que é secular e cruel, e poucos são os que tiveram a oportunidade de conhecer a ignorada trajetória de seu povo.’’ (MORAES, 2015).

Assim como o Brasil e os demais países da América do Sul, a Argentina, como colônia de exploração espanhola, foi um grande receptor de escravos africanos. Durante os séculos 17 e 19, o país vivenciou o seu maior fluxo de imigrantes, chegando a compor 50% de sua população. (GELEDÉS, 2016). No entanto, já no fim do século 19, o índice de negros africanos caiu para 1,8%. (LIMA, 2005).

Mas, então, como explicar uma redução tão drástica no quadro demográfico?

Existem vários motivos, como:

1 – As Guerras da Independência e a Guerra do Paraguai, onde o governo criou exércitos constituídos apenas de negros, sendo estes despreparados (sem treinamentos ou instruções) e consequentemente dizimados.

2 – A abolição da escravidão, em que os negros foram abandonados e passaram a morar em favelas, sem higiene, emprego, má alimentação e baixa imunidade, onde passaram a ser presas fáceis de viroses, infecções e demais doenças, levando-os a morte.

Além dessa dizimação na prática, a Argentina também utilizou a chamada ‘’política de branqueamento’’, em que registrou negros escravos como brancos, pois acreditavam que o desenvolvimento do país estava ligado à cor da pele de sua população. (LIMA, 2005).

”Muitas mulheres negras, com a ausência de homens da mesma etnia, casaram-se e tiveram filhos com brancos, inclusive com imigrantes europeus, que começaram a desembarcar no país antes da metade do século 19. Seus filhos, embora tivessem traços negros comprovados, eram registrados como brancos.” (LIMA, 2005). Assim, as estatísticas acabaram registrando o sumiço de toda a população negra da Argentina.

Atualmente no país, há uma percepção negativa dos negros, sendo eles considerados como sujos e ”baixos”. Por isso, o racismo ainda é muito visível e acontece de forma recorrente.

Embora haja uma lei antidiscriminatória, ela é considerada ineficaz e pouco contundente. (MORAES, 2015). Para punir uma pessoa que tenha praticado o ato do racismo leva um longo tempo, ou muitas vezes não tem punição.

A história dos negros na Argentina mostra que, não somente no Brasil, houve um difícil reconhecimento da existência e cidadania dessas pessoas. (GELEDÉS, 2016). Por isso é importante que tenham a adoção de ações de empoderamento do coletivo afro, pois é através dessas que mais pessoas se reconhecerão afrodescendentes. (MORAES, 2015).

 

Amanda Anderson,

Diretora-Assistente da WCAR 2017.

 

REFERÊNCIAS:

MORAES, Mayara. Estrangeiros no próprio país: a historia dos afroargentinos. Terra, Buenos Aires, 22 jul. 2015. Disponível em: <https://www.terra.com.br/noticias/mundo/america-latina/racismo-e-preconceito-conheca-a-historia-dos-negros-na-argentina,c865bcf0b6baa80e38f8046506f96d045h6hRCRD.html>. Acesso em: 13 ago. 2017.

LIMA, Cláudia de Castro. Onde foram parar os negros da Argentina? Guia do Estudante, São Paulo, 01 jun. 2005. Disponível em: <http://origin.guiadoestudante.abril.com.br/aventuras-historia/onde-foram-parar-negros-argentina-434210.shtml>. Acesso em: 13 ago. 2017.

A história dos negros argentinos: por que eles quase ‘’sumiram’’ do mapa por lá? GELEDÉS, [s.l], 20 jun. 2016. Disponível em: <https://www.geledes.org.br/historia-dos-negros-argentinos-por-que-eles-quase-sumiram-do-mapa-por-la/>. Acesso em: 13 ago. 2017.

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