Pearl Harbor: o dia da infâmia

Por Carolina Tomaz

A operação de ataque a Pearl Harbor é concebida como parte de um plano japonês maior para construir um império no sudeste asiático abrangendo China, as Índias Orientais e a Malásia. O Almirante Yamamoto sabia que aquele plano faria as potências ocidentais entrarem em conflito. O comandante via a frota americana em Pearl Harbor como a maior ameaça aos planos do alto comando japonês e sabia que a marinha americana poderia causar uma devastação nas linhas de suprimento japonesas. Portanto, controlar as rotas marítimas significava controlar a linha de vida do Japão. Sendo assim, o plano serviria para eliminar a capacidade americana de intervir no Pacífico. Acreditava-se que depois desse ataque os americanos perderiam a vontade de lutar.

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Os japoneses tinham capacidade para apenas dezoito meses de guerra, portanto, a melhor opção seria um ataque surpresa em que precisavam aniquilar toda a frota americana. Sendo assim, após meses de planejamento, no dia 7 de dezembro de 1941 entrava em ação o plano de ataque a Pearl Harbor. Os caças japoneses seguiam à frente, depois vinham os bombardeiros de mergulho seguidos de bombardeiros de ataque em diferentes alturas e formações em horizontais. Por estarem esperando um voo de B17 no continente, os americanos não se alarmaram com os primeiros sinais de aviões detectados no radar.

Ao perceber que haviam pegado os americanos de surpresa, os japoneses quebraram o silêncio do rádio para sinalizar ao porta-aviões que atacasse. Para a execução da operação existiam dois planos. Se o ataque fosse surpresa, o plano A era que os bombardeiros de torpedos atacassem primeiro, seguidos pelos bombardeiros de mergulho. Se os inimigos os vissem aproximando, o plano B era para que os bombardeiros de mergulho atacassem primeiro e os torpedos aéreos fossem os últimos.

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Bombardeiros B-17 sobrevoando a ilha, dezembro 1941

Quando o líder do ataque lançou um sinalizador para informar que seguiriam o plano A, muitos pilotos não viram o sinal. Então, quando um segundo sinalizador foi disparado, os pilotos que viram o primeiro pensaram ser uma mudança para o plano B. Na confusão, toda a frota ataca de uma vez. Os aviões japoneses atacaram em duas vagas, nas quais 353 aviões chegaram a O’ahu. A primeira vaga foi liderada por 186 torpedeiros-bombardeiros vulneráveis, aproveitando os primeiros momentos de surpresa atacando os navios no porto enquanto bombardeiros-de-mergulho atacavam as bases aéreas ao longo de Oahu, começando pelo campo aéreo Hickam, o maior, e o campo aéreo Wheeler, a principal base de caças. A segunda vaga de 168 aviões atacou o campo Bellows e a ilha Ford, uma base aérea naval e marinha no meio de Pearl Harbor. A única força de oposição veio de alguns P-36s e P-40s e de fogo antiaéreo naval.

As baixas americanas foram de 2403 mortos, 5 couraçados afundados, 3 danificados, 3 cruzadores afundados, 3 contratorpedeiros danificados, 188 aviões destruídos e 155 aviões danificados. Já as japonesas foram de 29 aviões abatidos, 55 pilotos mortos; 5 mini-submarinos afundados, 9 marinheiros mortos e 1 capturado.

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Após a operação, os japoneses comemoraram muito, mas para Yamamoto o ataque fora um tremendo desastre. Alguns erros chave no planejamento tático e no controle operacional do ataque o transformaram de triunfo a um desastre. Yamamoto sabia que os porta-aviões desempenhavam um papel significativo na guerra que estava por vir. Por isso, na elaboração do plano de ataque de Pearl Harbor, os porta-aviões eram os alvos prioritários. Até alguns dias antes da operação, os japoneses ainda não sabiam o posicionamento desses navios, até que recebem uma mensagem codificada dizendo “Subam o monte Nitaka”. Essa era a senha combinada para que a frota de Nagumo, comandante da força de ataque, desse início à operação.

Almirante Nagumo enfrentava um forte de dilema em que teria que decidir entre usar do componente surpresa e atacar mesmo desviando do principal objetivo, ou cancelar a operação. Seguindo a primeira opção, as prioridades do comandante eram os couraçados e afundar o máximo de navios possível. Ainda assim, o ataque poderia ter causado muitos danos à marinha americana se tivesse acertado os alvos certos. Dos 21 navios atacados pelos japoneses, 18 foram recuperados em alguns meses. A base de submarinos e os pátios de reparo foram ignorados.

 

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Encouraçado USS Arizona após ataque

Um grande erro na execução do plano foi não terem atacado as instalações de armazenamento de combustível da frota americana. Os tanques continham mais de 650 milhões de litros, o suficiente para abastecer a frota durante 10 meses. Yamamoto havia ordenado que não destruíssem os tanques na primeira vaga, pois causaria muita fumaça, prejudicando a visibilidade e neutralizando o poder aéreo. O plano original de Yamamoto contava com um terceiro ataque, que Nagumo resolveu cancelar por causa dos seguintes fatores: a defesa americana havia melhorado, o combustível não era suficiente, um novo ataque seria muito tarde, e era preciso garantir os porta-aviões japoneses para ataques planejados na Ásia. Sendo assim, a capacidade americana de reabastecer e reparar seus navios não fora danificada e os submarinos foram deixados livres para destruir os navios japoneses. Também não era imaginado que o ataque provocasse raiva e vontade de guerrear na população americana de modo que, no dia seguinte, Roosevelt assinaria uma declaração de guerra.

Pearl Harbor mostrou, ainda, que Yamamoto tinha razão ao dizer que o Japão só poderia ganhar a guerra se a fizesse em curto prazo, com golpes seguros e mortais contra o inimigo. O segundo golpe, portanto, teria de ser orquestrado imediatamente. Desta vez, o alvo escolhido foi Midway, a mais importante base naval americana no norte do Pacífico depois de Pearl Harbor.

Yamamoto relutou antes de atacar Midway pois imaginava que talvez pudesse ser assinada a paz com os Estados Unidos. Apesar da pressão dos militaristas, ele esperou meses para entrar novamente em ação na esperança de possíveis negociações diplomáticas. Foi o bombardeio americano em Tóquio em 18 de abril de 1942, ataque Doolittle, que tirou Yamamoto de seu imobilismo. Quando foi informado pelos aviadores americanos feitos de prisioneiros que o ataque tinha sido efetivamente lançado de um porta-aviões, foi decidido atacar e, em junho de 1942 começaria a Batalha de Midway.

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Jornal Minneapolis Morning Tribune noticia o ataque Doolittle

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