A trajetória do Movimento Global pelos Direitos das Mulheres

Como consequência de um sistema patriarcal fortemente difundido e adotado ao redor do mundo, as mulheres vivenciaram séculos de opressão, marginalização e extinção de direitos civis e políticos. Até o início do século XX, na quase totalidade dos países, a concepção predominante era de que as mulheres deveriam ser restritas à esfera doméstica, enquanto os homens se incumbiriam de ocupar o âmbito público.

Em outras palavras, as mulheres foram impedidas de votar, de se candidatar e de se eleger. Além disso, as instituições de ensino adiaram enquanto puderam a inserção da mulher no campo acadêmico. Os diretos à propriedade, ao divórcio, às leis trabalhistas justas também foram concedidos tardiamente e em pequena parte dos países.

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Esse cenário sexista abre espaço, portanto, para o surgimento de movimentos feministas que detinham o intuito de lutar pela garantia de direitos às mulheres. A partir de então, começam a despontar alguns acontecimentos extremamente marcantes na trajetória do movimento global pelo direito das mulheres.

Em 1911, celebra-se o primeiro “Dia Internacional da Mulher”, no qual mais de um milhão de homens e mulheres se manifestaram favoravelmente aos direitos das mulheres. Os protestos ocorreram na Áustria, Dinamarca, Alemanha e Suíça e apoiavam o sufrágio feminino, o direito de ocupar cargos públicos, formação profissional e inserção no mercado de trabalho de forma não discriminatória.

Dois anos mais tarde, 1913, a Noruega garante às mulheres o direito ao voto. Já em 1915, realiza-se o primeiro Congresso Internacional das Mulheres, que reuniu mulheres estadunidenses e europeias na Holanda. Após um ano, elege-se a primeira mulher para o Congresso dos Estados Unidos, JeannetteRankinof Montana.

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No ano de 1918, as mulheres canadenses ganham o direito ao voto. Na Inglaterra, as mulheres acima de 30 anos também receber o direito de votar. Já na Índia, o Congresso Nacional começa a exercer apoio ao sufrágio feminino. A Suíça, por sua vez, nomeia a feminista húngara Rosika Schwimmer embaixadora do país.

Em 1920, estipula-se o Tratado de Versalhes garantindo a equidade salarial entre os sexos masculino e feminino. No ano de 1928, as mulheres conseguem competir pela primeira vez nos Jogos Olímpicos. Mais tarde, em 1934, o sufrágio feminino é alcançado no Brasil e na Tailândia. E em 1937, Cuba se destaca defendendo a igualdade salarial em trabalhos iguais, independentemente do gênero.

Eleanor Roosevelt torna-se chefe da Comissão das Nações Unidas para os Direitos Humanos em 1946 e no mesmo ano a Comissão das Nações Unidas sobre o Estatuto da Mulher é formado. Além disso, nas Filipinas, as mulheres conseguem o direito ao voto. Passados dois anos, no Japão, as mulheres podem votar e se candidatar às eleições na Câmara dos Deputados pela primeira vez.

Ainda no ano de 1948, as Nações Unidas adotam a Declaração Universal dos Direitos Humanos, que fica conhecido como o primeiro documento internacional a garantir “a dignidade e o valor da pessoa humana e a igualdade de direitos de homens e mulheres”. Em 1949, Israel e Coréia do Sul concedem o sufrágio feminino e em 1952, Israel adota a Lei de Igualdade de Direitos das Mulheres, criminalizando a discriminação de gênero.

Sufragistas

Esses acontecimentos foram primordiais durante o processo global da lenta conquista de direitos das mulheres. Todavia, cada país detém a sua peculiaridade no que se refere a questão do direito feminino, por isso a concessão de direitos civis e políticos às mulheres não se dá uniformemente. É importante ressaltar, porém, que grande parte das conquistas obtidas mundialmente só se concretizaram devido à intensa luta de mulheres e de movimentos feministas que não se permitiram subjugar à intensa injustiça e opressão do patriarcado vigente.

REFERÊNCIAS

VOGELSTEIN, R. Landmarks in the Global Movement for Women’s Rights: A Timeline. Council on Foreing Relations, 2017. Disponível em: <https://www.cfr.org/blog/landmarks-global-movement-womens-rights-timeline&gt;. Acesso em 2 de agosto de 2017.

UNITED NATIONS FOUNDATION. Key Dates in International Women’s History, s.d. Disponível em: <http://www.unfoundation.org/assets/pdf/key-dates-in-international-womens-history.pdf&gt;. Acesso em 2 de agosto de 2017.

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