As alianças da Grande Guerra: Parte I – A Tríplice Entente

            O jogo de alianças existente ao longo da Grande Guerra fez com que as potências envolvidas no conflito se dividissem em duas forças inimigas entre si: a Tríplice Entente e a Tríplice Aliança. Nesse post abordaremos as razões para a existência deste sistema de alianças, bem como o processo de formação da Tríplice Entente como uma força preponderante nos desdobramentos subsequentes. Ressaltamos desde já para os senhores delegados que haverá uma segunda parte do post, na qual elucidaremos as questões referentes à Tríplice Aliança.

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FONTE: SCHILLING, Voltaire, 2015.

            Para melhor compreensão das alianças formadas, é necessário entender o contexto histórico existente por trás disso, que volta principalmente ao Império Alemão de Otto Von Bismarck, no final do século XIX. A estratégia de Bismarck era a de consolidar as conquistas territoriais germânicas e evitar a aliança de potenciais inimigos. Entretanto, a situação mudou com a ascensão de um novo Kaiser, Guilherme II (1888-1918), que enfraqueceu as forças de Bismarck e fez com que o mesmo renunciasse ao cargo em 1890. O enfraquecimento desta política fez com que o Império Alemão passasse a reivindicar o posto de potência mundial, o que por consequência acabou causando descontentamento às autoridades britânicas, que por sua vez optaram por uma política de reinserção nas questões internas da Europa. Partindo deste panorama histórico foi formada em 1907 a Tríplice Entente, constituída por Reino Unido, França e Rússia principalmente. (WILLIAMSON, 2014)

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FONTE: LAIFI, 2012.

            O Reino Unido sempre foi descrito como isolado, pois possuía um grande Império e governá-lo era a prioridade. A principal fonte do poder britânico era a Índia, e, portanto, o foco era proteger as rotas de comércio entre o Império e o país. Entretanto, o país tinha sim interesse no que acontecia na Europa. Nos séculos XVIII e XIX, havia uma forte rivalidade entre a Inglaterra e a França sobre as possessões de territórios africanos, e o Império Britânico se preocupava com as intenções russas de ter controle de uma área onde o Mar Negro dava saída para o Mar Mediterrâneo, o que possibilitaria ao país possuir navios de guerra e de comércio viajando facilmente pela Europa. Além disso, essa rota era a rota comercial mais importante que a Inglaterra possuía para chegar à Índia (THE NATIONAL ARCHIVES, 2014).

            Desta forma pode-se perceber que até o início do século XX, a maior preocupação britânica era com a Rússia e a França, e não com a Alemanha, visto que possuía com ela uma boa relação. O que começou a mudar quando Guilherme ll tomou posse na Alemanha, investindo principalmente em uma marinha de guerra mais potente. Assim, de acordo com os arquivos nacionais do governo do Reino Unido:

            A política britânica na Europa afirmava que nenhuma nação deveria tornar-se completamente dominante. Se a Rússia, França, Alemanha e Império Austro-Húngaro estivessem apenas preocupadas consigo mesmas, não seriam uma ameaça ao Império britânico. Entretanto, em 1907, tornava-se claro para a Inglaterra que a maior ameaça em potencial no momento era a Alemanha, com sua economia forte, grande população e forças armadas poderosas. Com isto, o país poderia facilmente dominar a Europa. Como resultado, a Inglaterra passou a dar apoio a Rússia e a França e, portanto, uniu-se à Tríplice Entente. (THE NATIONAL ARCHIVES, 2014)

            A Rússia se juntou ao bloco devido à pressão exercida pela França e pela Inglaterra, porque ambos os países investiam muito no país e ameaçavam retirar tais investimentos caso a mesma não se juntasse à Entente. Além disso, o fato de que o país faz fronteira com a Alemanha em sua porção oriental era de interesse dos demais países da Entente, porque essa localização seria estratégica caso houvesse algum confronto com os alemães. Assim, é válido ressaltar que o país cumpriu um papel importante na Grande Guerra, pois atacou a Alemanha através de sua porção oriental, como previsto pela França e pelo Reino Unido, e o primeiro exército russo marchou diretamente para o coração do território alemão. No Império Austro-Húngaro, o país conseguiu com sucesso ocupar a capital da Galícia, e a partir daí, os exércitos russos começaram com planos de partir em direção à Polônia. Uma grande contribuição russa na Guerra foi em 1916, com uma vasta linha de operações na Bielorrússia até a fronteira alemã com o sul da Romênia. Assim, o exército russo causou grandes perdas ao inimigo (HISTORY OF RUSSIA, 2012).

            As motivações da França para integrar a Entente também remontam à impasses anteriores com o Império Alemão. Durante a segunda metade do século XIX, com as conquistas territoriais de Bismarck a pleno vapor, e logo após o processo de Unificação Alemã, ocorreu a chamada Guerra Franco-Prussiana. Este conflito envolveu o Império Alemão e a França disputando uma região que desde o século XVII pertencia à França: a Alsácia-Lorena. O famoso território possuía reservas de recursos naturais abundantes, que se faziam necessários a ambos os países, como o gás natural, o carvão e o ferro. Além disso, também era um território majoritariamente povoado por germânicos, o que acirrava as questões de posse do local. O Império Alemão acabou tomando a região da França ao fim da Guerra Franco-Prussiana, e assim as autoridades e a própria população francesa nutriram um sentimento de revanche pela Alemanha nos anos subsequentes, o chamado “Revanchismo Francês”. Evidentemente, ao notar que as demais potências europeias se uniam para conter o avanço do domínio alemão no continente, a França também optou por se aliar a eles, e assim se consagrar como um importante membro da Entente (BEAUPRÉ, 2014).

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FONTE: HISTORY EXTRA, 2012

            Ademais, vale ressaltar que o Reino Unido, a França e a Rússia foram apenas os atores principais da Entente, mas que contaram com o apoio de outras nações que tiveram suas próprias motivações, como a Bélgica, a Sérvia, o Japão e Montenegro. (WILLIAMSON, 2014) Portanto, a compreensão da formação das duas alianças da Grande Guerra é fundamental para que os senhores delegados possam entender seus posicionamentos ao longo da Conferência de Paz de Paris, permitindo assim que possam debater com coerência em outubro. Até o próximo post, senhores delegados!

 

REFERÊNCIAS 

BEAUPRÉ, Nicolas. France. Disponível em: https://encyclopedia.1914-1918-online.net/article/france.  Acesso em: 27 de julho de 2017.

HISTORY OF RUSSIA. RUSSIA IN WW1. Disponível em: http://historyofrussia.org/russia-in-ww1/. Acesso em: 26 de julho de 2017.

PRIMEIRA Guerra Mundial: Política de Alianças, Paz Armada e Tríplice Entente – Vídeo Aula 2. Vídeo disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=aJs_WGZyWVs. Acesso em: 26 de julho de 2017.

THE NATIONAL ARCHIVES. Why did war break out in 1914?. Disponível em: http://www.nationalarchives.gov.uk/education/greatwar/g2/backgroundcs1.htm. Acesso em: 26 de julho de 2017.

WILLIAMSON, Samuel R. The Way To War. Disponível em: https://encyclopedia.1914-1918-online.net/article/the_way_to_war. Acesso em: 27 de julho de 2017.

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