A ESCRAVIDÃO MODERNA NA INDÚSTRIA DA MODA

Muitas das mudanças que aconteceram ao longo da década de 80 transformaram o modo organizacional do capitalismo e o jeito de consumir. Uma das características mais marcantes do atual modelo de consumo pauta-se no chamado fast fashion (pela tradução literal, moda rápida), em que montantes são produzidos e rapidamente exportados para lojas de todo o globo (TANJI, 2016).

Sendo assim, o desejo de consumo e o modo como se dá tal fato muda-se constantemente e lojas como Zara, Farm, Forever 21, H&M puderam conquistar um mercado cada vez maior adotando essa prática de oferecer muita opção e variedade para o consumidor. Deste modo, enquanto grifes europeia divulgavam suas coleções conforme cada nova estação, as lojas de fast fashion despejavam no mercado consumidor roupas novas semanalmente (TANJI, 2016).

MAKEBUY

Outra característica marcante deste novo modelo de consumo é a maior acessibilidade destas roupas. Como grande parte dos processos é feito manualmente, fica evidente que para sustentar blusas e calças com uma média de preço a 20 dólares, o salário não pode ser exorbitante. Assim, na busca por trabalhadores com preços baixos, países como Bangladesh e Camboja tornaram-se referências na produção têxtil – no primeiro, o salário médio gira em torno dos 43 dólares por mês – e acabaram atraindo diversas empresas para seu território (DUARTE, 2015).

 Sendo assim, os salários baixos aliados às construções antigas e protocolos de segurança que são facilmente ignorados podem gerar condições desumanas de trabalho, as quais, por vezes, caracterizam-se por se encontrarem em condições análogas a escravidão. Tais situações tomaram cada vez mais visibilidade devido a acidentes, como incêndios e desmoronamentos, envolvendo trabalhadores que produzem para grandes marcas como a Gap e a já citada anteriormente Zara (DUARTE, 2015).

 

SUDESTE ASIÁTICO

Um acontecimento amplamente divulgado pela imprensa foi o desabamento de um prédio de três andares em Bangladesh onde funcionava uma fábrica de tecidos. Tal fato gerou a morte de mais de 300 pessoas e demonstrou um lado obscuro da produção têxtil internacional, marcada por condições de segurança que passam despercebidas, amplo emprego da mão de obra infantil e longas jornadas (BBC, 2013).

É importante ressaltar que uma vez que essas empresas buscam o lucro, o aumento do salário de um local pode significar o deslocamento de uma produção para outro país. Essa situação aconteceu com a China, em que um gradativo aumento salarial deslocou certas produções para Bangladesh e Vietnã (TANJI, 2016).

 

REFERÊNCIAS

BBC. Desabamento em Bangladesh revela lado obscuro da indústria de roupas. Disponível em: <http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2013/04/130428_bangladesh_tragedia_lado_obscuro&gt;. Acesso em: 23 de jul. de 2017.

DUARTE, Gabriela Garcez. O fast-fashion e o fator humano: uma abordagem para a conscientização da produção e do consumo e eliminação do trabalho escravo contemporâneo. Disponível em: <http://www.coloquiomoda.com.br/anais/anais/11-Coloquio-de-Moda_2015/ARTIGOS-DE-GT/GT10-MODA-E-SUSTENTABILIDADE/GT-10–FAST-FASHION-E-O-FATOR-HUMANO.pdf&gt;. Acesso em: 22 jul 2017.

TANJI, Thiago. Escravos da moda: os bastidores nada bonitos da indústria fashion. Disponível em: <http://revistagalileu.globo.com/Revista/noticia/2016/06/escravos-da-moda-os-bastidores-nada-bonitos-da-industria-fashion.html&gt;. Acesso em: 23 jul 2017.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s