As mulheres na Grande Guerra

Assim como as mulheres tiveram um papel importante na Grande Guerra, elas também terão o seu espaço e importância na Conferência, que contará com a participação de representantes femininas de diversos países. Devido a isso, resolvemos auxiliar no entendimento do espaço que as mulheres ocupavam na durante a Grande Guerra.

Primeiramente, é válido lembrar que a definição de papéis entre homens e mulheres na época era algo claro: homens eram os responsáveis por manter a ordem e a família, e as mulheres tinham o dever de cuidar da casa e dos filhos. Na Europa, no final do século XIX e começo do século XX, os movimentos feministas estavam se fortalecendo. As mulheres agora reivindicavam por uma maior participação política assim como maior espaço no mercado de trabalho. (MELLO, 2017)

Com a Grande Guerra, o movimento é abrandado quando as mulheres começam a ser mobilizadas para o esforço de guerra. Como os homens foram obrigados a ir ao campo de batalha, as mulheres tiveram que ocupar seus postos no mercado de trabalho, tanto para pagar dívidas que seus maridos deixaram, como para ajudar a balancear a economia. Essas mulheres serviram como enfermeiras auxiliando os feridos em combate, trabalharam em fábricas e em serviços auxiliares, e ainda foram convocadas para compor o efetivo de grupamentos femininos das diferentes forças armadas. (MELLO, 2017)

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MUNITIONS PRODUCTION ON THE HOME FRONT, 1914-1918 (Q 30011) Copyright: © IWM. Original Source: http://www.iwm.org.uk/collections/item/object/205196365

De acordo com o texto da Professora Joana Bourke, “A guerra deixou dois legados importantes para as mulheres: Em primeiro lugar, criou a possibilidade de mulheres ocuparem espaços de trabalho que não eram comuns para o gênero. Em segundo lugar, promoveu o sindicalismo entre as trabalhadoras, visto que os sindicatos existentes eram hostis às mulheres. A Primeira Guerra Mundial forçou os sindicatos a lidarem com a questão da mulher no mercado de trabalho, visto que haviam níveis crescentes de mulheres viúvas ou solteiras pela guerra.” (BOURKE, 2013)

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É importante ressaltar que alguns historiadores afirmam que a guerra foi um elemento essencial na garantia da concessão de posse de propriedade por mulheres com a idade de 30 anos, em 1918. Entretanto, foi o árduo trabalho do movimento feminista e o comprometimento do partido trabalhista que tornaram possíveis e maiores as concessões de posse mais abrangente para mulheres. Além disso, a guerra contribuiu para que as discussões em torno do direito ao voto se tornassem mais fortes, com o movimento sufragista lutando para direitos iguais entre homens e mulheres. (BOURKE, 2013)

A seguir, falaremos de algumas mulheres que tiveram um papel muito importante na Primeira Guerra Mundial, e que são pouco retratadas na história. Tais como:

  • Edith Cavell (1865-1915): Foi uma enfermeira britânica que salvou a vida de milhares de soldados de ambos os lados da guerra. Entretanto, em 1915, ela foi presa pelos alemães por ter ajudado centenas de soldados das forças aliadas a escaparem pela Bélgica até os Países Baixos. Devido a isso, ela foi executada.
  • Evelina Haverfield (1897-1920): Foi uma sufragista britânica que em 1915 se voluntariou para ajudar como enfermeira no hospital de mulheres escocesas na Sérvia, e após a guerra, trabalhou em um orfanato de crianças no mesmo país. Lá, morreu de pneumonia em 1920.
  • Flora Sandes (1876-1956): Começou a sua carreira como enfermeira, para apenas depois tornar-se a única mulher que serviu oficialmente como soldada durante a primeira guerra mundial. Em 1916 ela foi gravemente ferida em combate por uma granada, e recebeu a mais alta condecoração pelo Serviço Militar Sérvio. Ela foi promovida a sargento major, e mais tarde, depois da guerra, a capitã.
  • Dr. Elsie Inglis (1864-1917): Era uma sufragista escocesa, médica, que iniciou a Unidade Hospitalar de Mulheres Escocesas, e foi uma das poucas a trabalhar nas unidades médicas no fronte de guerra.
  • Dame Helen Charlotte Isabelle Gwynne-Vaughan (1879-1967): Em 1917, ela foi nomeada chefe do Corpo Auxiliar do Exército Feminino na França, e foi a primeira mulher a receber um DBE (Commander of the Most Excellent Order of the British Empire), em 1918. Ela também serviu como comandante da Força Aérea Real das mulheres, de 1918 a 1919. (10 Heroic Women of World War I, 2017)

Com tudo, devemos relembrar que no período anterior a Grande Guerra as mulheres já estavam presentes nas indústrias, um exemplo disso é apresentado no filme “As Sufragistas (2015)”, que fica como indicação da equipe da CPP.  Abaixo, segue um vídeo explicativo sobre a participação das mulheres na Grande Guerra que está em inglês e possui legendas em espanhol. Para quem quiser dar uma conferida, tá ai! Até mais.

 

10 Heroic Women of World War I. Disponível em < http://mashable.com/2014/07/29/heroic-women-wwi/#nLuGQZoU0aqW&gt;. Acesso em julho de 2017.

BOURKE, Joanna. Women on the Home Front in World War One. 03 de março de 2013. Disponível em < http://www.bbc.co.uk/history/british/britain_wwone/women

_employment_01.shtml>. Acesso em julho de 2017.

MELLO, Ana Claudia R. Costa D. As mulheres na Guerra. Disponível em < http://pre.univesp.br/as-mulheres-na-guerra#.WWfZWYjyvIU>. Acesso em julho de 2017.

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