O Desenvolvimento como liberdade de Sen

Olá Senhores Delegados!

Dentro dos posts sobre os diferentes conceitos de desenvolvimento, hoje enfatizaremos a abordagem de Amartya Sen, que coloca o desenvolvimento como liberdade.

Para Amartya Sen o desenvolvimento econômico é visto como um procedimento de ampliação da liberdade que as pessoas possuem, tendo a liberdade não só como um fim, mas também como um meio para o desenvolvimento, sendo seu enfoque o indivíduo que se desenvolve pelas suas próprias escolhas, possuindo um amplo poder de escolha. Sen parte da ideia de que as liberdades dos indivíduos são determinadas por saúde, educação e direitos civis, e não pelo da renda per capita, industrialização, avanço tecnológico ou modernização, como as teorias clássicas do desenvolvimento (SEN, 2000).

Desse modo é importante frisar que Sen não rompe com o sistema capitalista, mas sugere uma mudança na estrutura com o interesse de reduzir as desigualdades. Com a ascensão do capitalismo no mundo é possível ver uma geração de grande desigualdade de renda, o que tem tomado proporções gigantescas. Dessa maneira nunca se produziu tanta riqueza, e nunca se produziu tantos pobres, já que há uma grande concentração de renda para poucos. Assim, para Sen, o desenvolvimento tem enfoque no indivíduo e não na sociedade em termos coletivos como nas teorias clássicas de desenvolvimento (SEN, 2000).

Para Veiga (2001) a redução das desigualdades irá beneficiar o crescimento econômico, já que, ao contrário do que se pensa, uma sociedade mais igualitária socialmente tende a ter um crescimento maior do que as sociedades que possuem uma maior desigualdade social. Segundo Sen (2000) o mercado deve estar ligado ao Estado, pois assim irá aumentar o funcionamento do mercado para que os indivíduos façam suas próprias escolhas e quando o mercado exclui certos indivíduos, agindo de forma desigual na sociedade, o Estado deve agir em favor do indivíduo para que eles possam atuar no mercado de forma livre. É importante destacar que, para Sen, as políticas de transferência de renda não são boas já que não produzem liberdades substanciais, além de impedir outros tipos de liberdades (SEN, 2000; VEIGA, 2001).

Em vista disso, portanto, a teoria de Amartya Sen (2000) concorda com os propósitos neoliberais que focam as políticas sobre educação no âmbito estatal, sendo que as políticas públicas voltadas para educação e saúde necessitam ser vistas como essenciais para assegurar a liberdade dos indivíduos. Assim, o Estado deve ficar encarregado da eficiência e da igualdade dos resultados de suas políticas públicas, visando garantir as liberdades individuais (SEN, 2000).

SEN, Amartya. Desenvolvimento como liberdade. São Paulo, Companhia das Letras, 2000.

VEIGA, José Eli. O Brasil Rural ainda não encontrou seu eixo de desenvolvimento.2001, Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/ea/v15n43/v15n43a10.pdf. Acesso em: 01 de Nov de 2016.

 

 

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