Um ilustre antecedente da Grande Guerra: A questão dos Bálcãs

Por Milena Almeida e Túlio Ribeiro

            Para conseguir desenvolver bons argumentos quanto às questões que serão debatidas na Conferência de Paz de Paris, é necessária uma noção clara dos fatores que geraram a Grande Guerra. Nesse sentido, este post tem como propósito elucidar um antecedente muito importante da Guerra: a questão dos Bálcãs.

            À época, a região da Península Balcânica era conhecida como o “barril de pólvora da Europa” e abrigava em seu território diversos povos de diferentes etnias. As potências que dominavam aqueles territórios na maioria das vezes ignoravam as peculiaridades dos povos, como sua etnia e religião, o que com o passar do tempo originou conflitos. (TSOLAKIS, 2017)

            A Península era formada majoritariamente por Estados que conseguiram sua independência do Império Turco-Otomano ao longo do século XIX, como o Reino da Bulgária, a Grécia (República Helênica), a Sérvia e o Reino de Montenegro, que formaram a chamada Liga Balcânica. No entanto, alguns territórios habitados por populações de tais nacionalidades permaneciam sob o domínio dos otomanos. Assim, o remanescente domínio do Império em tais territórios motivou os Estados dos Bálcãs a buscarem a incorporação dos mesmos, em uma tentativa de repetir o sucesso alcançado pela Itália e pela Alemanha em seus processos de unificação (HALL, 2014).

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FONTE: BRANDÃO, Marcos, 2017.

            A l Guerra dos Bálcãs foi iniciada por Montenegro em 1912, com um ataque que foi rapidamente revidado pelo Império Otomano, antes mesmo que qualquer aliado da Liga pudesse fornecer apoio militar. Uma parcela significativa dos combates ao longo deste primeiro conflito ocorreu no sudeste europeu, na região histórica da Trácia, atualmente dividida entre territórios gregos, búlgaros e otomanos (HALL, 2014). Ainda em 1912, o Império Otomano assinou um armistício com a Bulgária, Montenegro e Sérvia, porém as ofensivas militares gregas persistiram até o ano seguinte (YANIKDAĞ, 2014).

            Em maio de 1913, a Liga Balcânica e o Império Otomano assinaram o Tratado de Londres, resultado de sucessivos esforços diplomáticos de ambas as partes em negociações de paz, limitando o domínio Otomano na Europa e criando o território independente da Albânia. É importante ressaltar que tanto a cidade de Adrianópolis, pertencente aos Otomanos, quanto à região de Dobruja, pertencente à Romênia, ficaram sob a guarda de tropas búlgaras, o que viria a gerar impasses ainda no mesmo ano. Com isso a l Guerra Balcânica teve sua conclusão (HALL, 2014).

            Após a promulgação do Tratado de Londres, desavenças entre os membros da Liga Balcânica afloraram, já que a Bulgária não obteve os ganhos territoriais que almejava, principalmente na região da Macedônia. Com isso passaram a existir motivações para um novo embate, que desta vez ocorreu entre antigos aliados, colocando a Bulgária contra os demais Estados da Liga Balcânica, e também contra as forças da Romênia e do Império Otomano, que se uniram como outra parte do conflito (HALL, 2014).

            Em 1913, após a Bulgária manifestar seu descontentamento com a divisão de terras considerada injusta por eles, tanto a Grécia quanto a Sérvia declararam que não abririam mão de suas ocupações na Macedônia. Tal declaração foi o fator preponderante para que a determinação búlgara em conquistar o território eclodisse em uma guerra generalizada na região. A partir disso, as hostilidades entre as tropas da Bulgária e as demais aumentaram drasticamente, impossibilitando que suas tropas combatessem intensamente tanto pela região da Macedônia, quanto pela guarda de Adrianópolis e de Dobruja, as quais o Império Otomano e a Romênia, respectivamente, desejavam retomar (HALL, 2014).

            Pressionada pela existência de tantos conflitos simultâneos, a Bulgária optou por clamar pela paz. Assim, novos esforços diplomáticos originaram dois novos acordos ainda em 1913: o Tratado de Bucareste e o Tratado de Constantinopla. O Tratado de Bucareste declarou que boa parte do território da Macedônia deveria permanecer sob domínio da Grécia e da Sérvia, bem como a região de Dobruja deveria pertencer à Romênia. Além disso, o Tratado de Constantinopla foi responsável por devolver a cidade de Adrianópolis ao Império Turco-Otomano, assim colocando um fim a ll Guerra dos Bálcãs (HALL, 2014).

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FONTE: BRANDÃO, Marcos, 2017.

 

            A partir destes conflitos delinearam-se algumas das posições e alianças do que viria a ser a Grande Guerra de 1914. É importante para o comitê manter-se atento a questões como os territórios em disputa e as identidades étnicas ali representadas (ou não representadas), uma vez que disso surgiram questões pertinentes para a Conferência de Paz.

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FONTE: MUNDO EDUCAÇÃO, 2017

 

REFERÊNCIAS

BRANDÃO, Marcos Bau. Bálcãs e Balcanização – Formação e fragmentação da Iugoslávia. Disponível em: http://marcosbau.com.br/geopolitica/balcas-e-balcanizacao/. Acesso em: 27 de junho de 2017.

HALL, Richard. Balkan Wars 1912 – 1913. Disponível em: http://encyclopedia.1914-1918-online.net/article/balkan_wars_1912-1913. Acesso em: 27 de junho de 2017.

TSOLAKIS, Luís Alves. AS QUESTÕES ETNICAS NOS BÁLCÃS DO PRÉ-PRIMEIRA GUERRA. Disponível em: http://repositorio.uniceub.br/bitstream/235/8851/1/04_As%20quest%C3%B5es%20etnicas%20nos%20balc%C3%A3s%20do%20pr%C3%A9-primeira%20guerra.pdf.  Acesso em: 27 de junho de 2017.

YANIKDAĞ, Yücel. Ottoman Empire/ Middle East. Disponível em: http://encyclopedia.1914-1918-online.net/article/ottoman_empiremiddle_east. Acesso em: 27 de junho de 2017.

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