CONFERÊNCIA MUNDIAL CONTRA O RACISMO (WCAR): EXPLICAÇÃO SOBRE O COMITÊ

 

A WCAR (sigla em inglês), foi criada no ano de 1997, pela Assembléia Geral das Nações Unidas, devido à uma preocupação com os crescentes índices de racismo, discriminação, xenofobia e intolerância no mundo todo. Assim, visando alcançar os objetivos como: aumentar o nível de conscientização; analisar os progressos e obstáculos alcançados para superação de problemas; realizar recomendações; etc; decidiu-se que uma Conferência Mundial Contra o Racismo, a Discriminação Racial, a Xenofobia e Formas Conexas de Intolerância deveria ser realizada no ano de 2001. (ALVES, 2002)

 Anteriormente, já haviam sido realizada duas conferências sobre o combate ao racismo, ambas em Genebra, nos anos 1978 e 1983, na sede da própria ONU, dando ao evento um aspecto de reunião rotineira, incapaz de atrair atenção. (ALVES, 2002) A discriminação racial naquela época nunca havia sido abordada de maneira séria, e mesmo quando abordada qualquer matéria sobre o assunto, era deturpada devido a existência do apartheid (um regime de segregação racial no qual os direitos da maioria negra foram limitados pelo governo formado pela minoria branca).  Assim, com o fim do regime em 1994, e a ascensão de Nelson Mandela como presidente do país sul africano, abriu-se um caminho para uma visão mais clara do racismo. (ALVES, 2002)

Em 2001, sediada na Africa do Sul, a conferência de Durban se tornou um evento importante que abriu espaço para que se fosse discutido o tema ‘’racismo’’ em um momento tão importante como o momento ‘’pós-apartheid’’. A Conferência, trouxe avanços significativos na luta em favor da erradicação do preconceito racial, porém, os ataques terroristas ao World Trade Center em Nova Iorque, nos Estados Unidos em setembro de 2001, dias após o término da Conferência de Durban, abafaram o valor da conferência. (GOMES, 2011)

Com a entrada do século XXI, houveram mudanças e conquistas, como: crescentes discussões sobre o racismo na sociedade; a valorização da identidade negra e afrodescendência; a ascensão de negros no mercado de trabalho e universidades; valorização da sua cultura; entre outros; que foram alcançadas pela população negra.

Apesar dessas conquistas trazidas pela Conferência de 2001, em que houveram importantes avanços e inovações na luta pela erradicação do preconceito racial, faz-se necessário medidas que erradiquem o racismo e que implantem a igualdade para que esses indivíduos sejam incluídos na sociedade como um todo.

Agora, em 2017, 16 anos depois, muitas mudanças ocorreram na conjuntura internacional. O fenômeno da internet como meio de comunicação democrático e das massas, o grande volume de indivíduos negros em situação de migração e o racismo institucional, fez ascender novamente polêmicas racistas. Casos de racismo contra negros migrantes e não migrantes, perseguição policial, genocídio e encarceramento em massa da população negra tem reacendido o debate sobre a perpetuação do racismo institucional. Na internet, racistas contam com a impunidade e anonimato para desferir seu preconceito. Imigrantes negros sofrem duplamente com racismo e xenofobia. Manifestações contemporâneas de racismo avançam na mesma proporção que as sociedades avançam. Tais manifestações, como em toda história do racismo mundial faz surgir uma centena de movimentos sociais de resistência negra, esses indivíduos alvo desse preconceito, fazem ecoar a voz que exige justiça e equidade.

Com isso, a WCAR 2017 terá como objetivo retomar essas discussões relacionadas ao racismo, abordadas na conferência de Durban em 2001, e buscar novas soluções mais firmes, visando diminuir e erradicar as formas de discriminação racial.

Amanda Anderson,

Diretora-Assistente da WCAR 2017

REFERÊNCIAS:

GOMES, Joceline. A Conferência de Durban completa 10 anos.Fundação Cultural Palmares, 2011. Disponível em: < http://www.palmares.gov.br/?p=13958&gt;. Acesso em: 17 jun. 2017.

ALVES, J.A. Lindgren. A conferência de Durban contra o racismo e a responsabilidade de todos. Revista brasileira de Política Internacional. Brasília, vol. 45, n.2, p. 198-223, jul. 2002. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/rbpi/v45n2/a09v45n2.pdf>. Acesso em: 17 jun. 2017.

 

 

 

 

 

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